Eu era uma criança com tendências extremas ao escapismo,
auxiliada com a literatura e a arte. Apesar de que eu tinha ´´ O quarto de Van
Gogh`` pendurado em meu quarto, as pessoas pensavam que eu queria ter aquele
quarto, principalmente a minha mãe. Mas como eu não falei nada a respeito
disso, ela deixou para lá. Porque eu me encantava realmente com Jan Van Eyck,
que apesar de tentar fantasiar as cores vibrantes e realistas, no fundo era
tudo místico e meio escuro.
Além disso, eu queria viver no mundo de Sherlock Holmes,
sentada na lareira, tomando um chá preto, fumando um cigarro (porque eu não
gosto de cachimbo), ouvindo as investigações do detetive e as indagações do Dr.
Watson, que ajudava Holmes. Nossa, era muito legal se eu estivesse junto com
ele para tirar o sarro da Scotland Yard,que não conseguia resolver o caso
antes, viajar para lugares diferentes na Inglaterra, mexer com substâncias
diferentes, com pegadas, com rastros de sangue, com toda a investigação legal
deste detetive maravilhoso.
Agora, faço o máximo possível para viver isso, mesmo
com o meu ritmo que não sei como eu baguncei desse jeito, com a falta de
privacidade que aumentou depois que cheguei na fase mais adulta, não podia
ouvir aquele som psicodélico do Pink Floyd ou a loucura que o David Bowie me
inspirava - escuto, mas tento recuperar o intenso efeito que absorvia em mim -
tomando refrigerante e fumando um cigarro, lendo histórias que fincavam na
minha mente, como se eu vivesse entre a imaginação e a realidade, que é a minha
representação de prazer pleno.

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