Vivo numa plena e maníaca bagunça. Livros abertos, uns espalhando-se com os outros, lençóis enrolados na cama, as roupas pareciam que estavam se agarrando, a cozinha suja de gordura bastante acumulada e os panos de chão jogados em cada canto do chão. Não somente a minha casa mas a mesa de trabalho era um projeto arquitetônico exótico, onde procurações, documentos, protocolos se edificassem no meios das loucuras externas ao trabalho, como documentos do curso, pessoais, papéis de doces e comprovantes, além do velho monitor, que já estava caleijado de tanta pancada que dei nele. O carro parecia um motel pelas camisinhas usadas, exalando o cheiro seco destas e do álcool que era derramado das garrafas em cada freiada ou cada mulher com quem eu estava.
Tudo isso externa bem pouco daquilo que situa-se em minha cabeça. Os orgasmo sem objetivo, o stress mal externado, o carinho que meu irmão pequeno fazia na minha cabeça, a sequidão da minha mãe, a alegria do meu pai, os dez anos fracassados por causa de um amor que não se dobrava ao respeito, as risadas dos meus amigos, os conselhos que eu dava e recebia, as pancadas que levei dos policiais, os lábios das meninas que eu beijava, o medo da morte, os pensamentos que a minha mente impunha de alguma origem desconhecida.
Quer saber? Deixa como está! Não existe tipos de vida onde não se tenha alguma carga, nenhuma mente com total pudor e ninguém que não tenha alguma característica que os ``outros``não formulam de esquisita. Todos terão vazio, a esquisitice e a amenidade e não me imagino vivendo sem isto. Digo que sem isto, até respirar é um ato em vão.
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